“A imagem do Inferno e dos castigos forma uma Arte da memória semelhante aos monumentos mnemónicos do Renascimento, ligando minuciosamente (…) uma série de noções abstractas a uma série de lugares concretos”
Jaqueline Risset, Vie de Dante, Paris Flammarion, 1995, p.158.
São esses lugares concretos que Dante descreve na sua viagem ao Inferno – geograficamente composto por 9 patamares circulares que afunilam em direcção ao centro da terra, numa hierarquia de castigos que vai desde os mais leves aos mais pesados. É nesta viagem que Dante, acompanhado do seu guia Virgílio, se cruza com várias personagens da História e seus contemporâneos, que, para a eternidade, sofrem os castigos designados pelo próprio poeta.
Castigos esses, que são aplicados a cada pecador reflectindo processos semelhantes ou contrastantes ao pecado cometido, numa representação que se designa de contrapasso (que significa “sofrer o oposto”).
Sandro Botticelli, Giovanni Stradano, William Blake, Gustave Doré e mais recentemente Amos Nattini, ilustraram, todos eles, estes castigos que Dante descreveu com extremo detalhe visual e sensorial. Todos eles representaram os homens e mulheres, post mortem, em agonia, no nível a que foram confinados, lamentando a sua sentença eterna no inferno. Ilustrar o sofrimento (a consequência) foi até aqui a principal preocupação nas representações artísticas anteriores. Será portanto, numa perspectiva actual, igualmente relevante Ilustrar os pecados, a causa, bem como “colocar em causa” esses mesmos pecados, numa análise do círculo “causa-efeito”.
Em casa uma das 9 ilustrações estão representadas personagens, em cenários ante mortem, que Dante foi encontrando em cada um dos níveis do Inferno.